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FIGA...e OUTRO



					    
É o AMULETO arraigado e de uso mais popular no Brasil, a FIGA - vários tamanhos e materiais, vendida em ‘folclóricas’ lojas de artigos religiosos, sempre no pescoço das ‘filhas-de-santo’ e devotos dos cultos afro- brasileiros, mesmo contrariando pressões do cristianismo contra objetos de culto pagão.  De amuleto ou simples enfeite, passou da arte popular à sofisticada ourivesaria européia, como ‘pedantif’, colar ou broche, agora sem a profilaxia comum desde a Antiguidade: caminho de vai e volta, comum entre elementos do folclore latino-americano, origem ibérica, que a este retorna.  A grande influência africana em nosso folclore e utilização da FIGA pelos escravos lhe atribuiu  falsa origem africana, em realidade amuleto de origem clássica, divulgado no mundo fenício e levado à Península Ibérica pelos colonizadores-conquistadores  gregos e romanos.  Chegou ao Brasil em mãos portuguesas e espanholas, não patrimônio cultural africano.  Embora utilizada nas guerras púnicas e romanas do Norte de África, não foi adotada pelas populações negras do interior, talvez adotada esporadicamente por escravos negros da Antiguidade, no sincretismo FIGA ligada ao universo mágico dos senhores.  Hoje, no Brasil, enfeite-bibelô e área de tirar-evitar mau-olhado, uso no corpo. ----- Originariamente, o gesto de ‘fazer figa’, dedo polegar entre indicador e o medo, mão fechada, indicava união sexual, tanto como gesto profilático ou indicador de desgraça. ----- Mão como amuleto foi utilizada na Pré-História em diferentes lugares.  A mão hábil do Homo Sapiens, capaz de criar, como objeto mágico em si mesmo, independentemente de abençoado gesto ritual, em silhuetas desenhadas nas cavernas européias (Espanha/França/Itália), entre pinturas paleolíticas, neolíticas ou da Idade do Bronze, mãos sobre cavalos e também representações fálicas.  No Brasil, mãos isoladas ou em grupo, pinturas rupestres nos rochedos nordestinos;  em Pernambuco, “a pedra da pintura”:  mãos em tinta vermelha, emas, lagartos, numeroso grupo de mãos rodeando um lagarto;  em incisões na rocha, figuras estilizadas de mãos-pés e animais.  Generalizou- se a interpretação de figuras de animais como magia propiciatória à caça, tanto mãos em torno de cavalos selvagens (França) como de emas e lagartos (Brasil) - ritos do que se deseja caçar, reforçando magia universal do homem primitivo a procura do sustento. ----- MÃO e FALO comumente valorizados nas pinturas e gravuras pré-históricas, atrações exercidas sobra as mentes primitivas (também mãos e pés aparecem repetidamente na arte hindu, numerosas estátuas esculpidas com linhas da roda sagrada e do lótus). ----- Há diferença entre TALISMÃ, força ativa de proteger e atuar sobre os outros elementos adversos X AMULETOS, força passiva protetora ou neutralizante contra mau-olhado, maldições, quebrantos etc.  Há ainda os FETICHES (derivado do vocábulo português ‘feitiço’, mesma origem do italiano ‘fattura’, ação mágica), aplicação à idéia da divindade que reside atraente-sedutora nos objetos materiais e sua adoração;  assim, determinada pedra ou planta, mandrágora por exemplo, capaz de curar doença, será um fetiche.  FETICHE, santo ou deus sob forma antropomórfica ou zoomórfica X AMULETO, figa afastadora do mau-olhado. ----- Segundo CÂMARA CASCUDO, folclorista:  “FIGA, o mais conhecido afastador de infelicidade e forças adversas, usado como berloques, enfeite pendente ou alfinete de gravata, em metais ou pedras preciosas.  Os populares são feitos de arruda, coral ou madeira, dimensão às vezes de um metro nas portas de entrada.  Quando a força do malefício é mais poderosa que a defensiva, a FIGA parte-se.  A cor da figa concretiza determinadas propriedades - a preta livra do mau-olhado, a vermelha dá sorte, a amarela aumenta a memória etc.”  O gesto representado pela FIGA é o triângulo ato sexual, dedo polegar é o órgão masculino e indicador e médio, o feminino, símbolo da reprodução, anulando as influências da esterilidade adversas à vida.  O mais antigo amuleto contra o mau-olhado (gesto italiano de estender dois dedos, os outros dobrados, chamado de “figa isola”, sobretudo no Sul do pais), a mão cornuda repete os cornos, atributos de potência viril, touro solar, vaca solar, cornucópia etc., livra dos inimigos que possam trazer fraqueza-atraso-infelicidade, todos os atributos contrários a virilidade-energia-decisão, vigor de animais dotados de cornos.”  Registre-se a associação de FIGA com dentes e raízes em forma de chifre, encontrados em colares nos túmulos romanos e púnicos. O gesto de fazer cornos pode ter relação direta com amuletos em forma de chifre ou curvos dentes de felinos que lembram o corno.  No Brasil, a associação entre FIGA e CORNO é identificada em amuleto feito com chifre de touro, ponta talhada em forma de figa - a mão cornuda ou “isola” transforma- se no simples símbolo do chifre que acompanha a FIGA, na simbologia fálica da equação “mão / figa-corno-falo / mau-olhado”.  A motivação comum é afastar o mau-olhado invisível, o quebranto. ----- ORIGEM - Pequena restrição de que árabes levaram a FIGA à África porque muitos antes dos árabes a adotarem, a FIGA já era conhecida e difundida na África por cartagineses-gregos-romanos, presente nos enxovais funerários das necrópoles de Cartago e cidades romanas da Mauritânia, associada ao ‘falus’ (grego, ‘phallós’), encontrada em amuletos marroquinos, já devendo ser conhecida em Alexandria desde a época grega.  Nas cidades púnicas do Mediterrâneo  Ocidental, aparece abundantemente desde o século VII a. C., figa de osso nas necrópoles, perfurada para pendurar ou em forma de agulha para os cabelos.  A  “idade” da FIGA é indiscutível, assim como a perpetuação universal ininterrupta, apenas perdeu o significado fálico. Sendo a criança a principal vítima do mau-olhado, dependentes e fracas, dar a ela uma figa logo após nascer - de  chifre ou azeviche, com uma fitinha vermelha (cor, tradição camponesa hispânica);  em Roma, no nono dia do nascimento, o ‘lustratio’, espécie de batizado pagã, purificação pela água e pelo fogo, no pescoço da criança a ‘bulla’ (herança etrusca), medalha de ouro ou outro  metal, com gravação de símbolos protetores, como olhos, animais sagrados, falos, figas, fórmulas mágicas cabalísticas etc. - reminiscências nos escapulários católicos, costurados com pequenas orações, comumente vendidos nos conventos espanhóis (entre os muçulmanos, inclusive escravos na Bahia, versículos do Corão);  crianças pobres, saquinho ou bolsa de couro no pescoço, amuletos que incluíam a figa - a partir de16 anos, os ‘juvenes’ tiravam a ‘bulla’, então oferecida aos deuses lares e vestiam a toga viril.  Meninos romanos levavam no pescoço o ‘fascinum’, significação e força idênticas às figas ainda hoje impostas às crianças brasileiras de todas as classes sociais, sem conotação obscena, perdida cedo pelo combate do cristianismo ao paganismo.  Os cultos pagãos conservaram-se na Península Ibérica muitos séculos depois do Édito de Milão em 313, instituído oficialmente o cristianismo, cultos pagãos renascendo das cinzas com maior liberdade no Novo Mundo.  Conselhos de Toledo, na Espanha visigoda, recomendam aos bispos medidas que reprimam idolatria e magia;  no III Concílio  (589), bispos admitem idolatria fortemente implantada em toda a Espanha e a Septimânia, reino judaico na França;  no IV Concílio, proibição aos clérigos de consultar adivinhos;  no V Concílio, pratica da magia a adivinhação castigadas com penas de açoite e venda do infrator como escravo; festas pagãs nas calendas de janeiro condenadas por São Isidoro, escandalizado com cristãos embriagados, dançando em fantasias de peles de animais ou roupas de mulher;  no séculos VII, perseguidos por juízes-bispos- sacerdotes os adoradores de pedras-fontes-árvores, áugures e magos que praticavam magias e sortilégios.  Nas vésperas de instalação de nova religião na Península Ibérica, numerosas as práticas pagãs que a religião muçulmana em nada fez desaparecer.  Posteriormente, na documentação dos tribunais medievais da fé e nos processos da Inquisição (Espanha e Portugal), numerosas referências a delitos de paganismo-idolatria-magia- bruxaria, disfarçados em folclore e costumes populares. ----- A representação fálica da FIGA perdeu na Antiguidade o significado fálico, mas permaneceu ora como protetor-esconjuro ora como insulto.  Em Dante (“Divina comédia”, Inferno, XVI), o ladrão Caco faz figa a Deus com ambas as mãos, gesto insultuoso e sacrílego.  Existiram no século XIII dois braços de mármore numa rocha perto de Florença, protetores da cidade.   Um dos professores de TERESA D’ÁVILA a obrigava a fazer figas que a protegessem dos transes, contra possível visão celestial falsa, obra do espírito infernal, agora amuleto no sentido cristão de repelir o demônio.  Tanto na Espanha como no Brasil, a falada expressão ‘uma figa’ tem sentido exclamativo, indicando incredulidade ou coisa de pouco valor. Segundo ROBERTO DA MATTA, antropólogo:  “Figa é utilizada exclusivamente como amuleto contra o mau- olhado e em exaustivas pesquisas entre os diferentes cultos umbandistas, nenhuma reminiscência fálica consciente, que teriam se perdido em consequência das pressões exercidas pela moral cristã em torno de qualquer tema ou objeto que guardasse implicação sexual. A FIGA é atualmente amuleto comum entre os membros dos cultos afro-brasileiros, sem atributo especial a santo nem aparece nos peijis (altares) dos terreiros. CÂMARA CASCUDO viu na Bahia uma cruz feita com três figas, interessantíssima peça sintetizando símbolo cristão + símbolo pagão, como no gesto que atormentava Teresa:  a cruz afastaria o demônio  e o mal no sentido mais amplo. Figas cruzadas em que o polegar prolonga-se em forma de cruz são vendidas em Salvador, na porta da Igreja do Bonfim.  Também mão cornuda ou FIGA ‘isola’ mudou o significado, de força viril e vigor animalesco para  insulto de significação contrária - entre italianos, homem cornudo é marido traído.  Na Espanha, utilizada FIGA sobre madeira ou metal afasta o azar, traz sorte.  O poder mágico de metais (cobre, bronze), embora superior ao do ferro que os suplanta, é também antigo - ferro forja todas as ferramentas e instrumentos, evidência do seu poder protetor e profilático, curativo de doenças e perigos, defesa do indivíduo contra o mal.  Cadeias-anéis-ferraduras-facas- pregos, tudo de ferro significava defesa para o homem primitivo;  menos remotamente, eficaz contra mau-olhado, crença ainda atual, daí o poder do ferro na FIGA ‘isola’. CÂMARA CASCUDO:  “Conhecida no Sul, chegou com imigrantes italianos, sem a representação plástica, apenas um gesto tumultuoso, não amuleto.” No Nordeste, o gesto ‘isola’ é protetor, sobretudo entre as crianças, considerada ‘isolada’, protegida de qualquer ataque externo;  em Madrid, fazer gesto de FIGA para proteção contra ciganos.  O  mesmo folclorista:  “Dentro da simbologia da mão, no Brasil o tumultuoso gesto popular de ‘dar banana’, antebraço ou mão no sagradouro do outro, este oscilando o punho fechado (uso europeu, nome ‘manguito’ em Portugal, ‘far manichetto’ na Itália, ‘hacer um corte de mangas na Espanha):  gesto vulgar e obsceno, relacionado com a FIGA e a mão cornuda, mistura de insulto e esconjuro;  em algumas regiões espanholas, verdadeiro significado é mandar depreciativamente, alguém se masturbar, significado fora do Brasil;  ‘dar banana’ é apenas demonstração de revolta ou protesto.”  Outro gesto também relacionado com a FIGA, mais insultuoso que profilático, é estender somente o dedo médio, os outros flexionados, entre os romanos era ‘infamis’, ‘impudicus’ e ‘verpus’, comparação obscena e gesto de mofa;  duplo sentido contra o mau-olhado era o gesto de mães e nutrizes, dedo salivado tocando testa do recém-nascido para proteger.  Em “Satyricon”, de PETRÔNIO (CXXXI), uma feiticeira unge com saliva a testa do jovem Policeno que sofre de impotência sexual. ----- Desde a Antiguidade, numerosos exemplos, na arte plástica e na literatura, da relação existente nos fatos obscenos  entre amuletos e gestos contra o mau-olhado. ----- De todas as forças capazes de produzir mau-olhado (‘fascinum’ romano, ‘basramia’ grega), a maior força maligna  é o olhar, ‘oculus malignus’ capaz de consumir o corpo daquele a quem é dirigido - crença tão arraigada que, para  SANTO AGOSTINHO, até crianças novas incapazes de falar podem produzir o mau- olhado.   Produzir fascinação com o olhar, talvez hereditariedade familiar, vítimas do próprio poder.  PLUTARCO refere-se a EUTÉLIDES que enfraqueceu imediatamente  olhando-se nas águas de uma fonte;  mulheres de duas pupilas tinham também o mesmo poder de fascinação;  PLÍNIO cita povo do Ponto com estranhos olhos - um com pupila dupla e outro com imagem de cavalo, ambos produzindo mau-olhado.  Se olhos têm esta força maior, deve-se obrigar ao ‘olhar fascinador’ a afastar-se com a oposição de um objeto que repila o olhar maléfico e o devolva, tanto é que a GORGONA não resistiu ao poder de sua imagem. ----- Amuletos contra o ‘fascinium’ são indecentes, como o falo e o ato sexual, insultuosos e agressivos, e figuras defecando.  A representação fálica afastadora da fascinação foi tão comum que entre os romanos o próprio falo foi chamado de ‘fascinum’, tomando o nome do mal que ajudava a neutralizar.  A idéia de ‘fascinum’ e falo se identificam - falos eram suspensos nos triunfos romanos no carro do vencedor para livrá-lo de olhares invejosos;  como símbolo de fecundidade, é também protetor contra o mau-olhado que pode destruir os frutos da terra;   isolado ou de tamanho exagerado nas estátuas do rei PRÍAPO, era colocado na beira de campos e jardins;  em esculturas ou baixo-relevos, figurou nas muralhas das cidades  e em edifícios públicos e privados. Em 1953, CÃMARA CASCUDO comprou em Recife, Mercado São José, um pequenino falo com orifício de suspensão ou para uso dentro da cueca, uma garantia de virilidade.  Com a mesma orientação, o corno, símbolo de energia sexual e potência física, defende lavouras, afasta pragas e defende contra quebranto e mau-olhado.  O mau- olhado pode chegar por meio da palavra, mesmo sem  intenção de ferir - elogios exagerados e manifestação de felicidade;  muita confiança em si mesmos podem também trazer a má vontade dos deuses à felicidade excessiva dos mortais.  Guarde os seus segredos.  Em boca fechada não entra mosca.   NOTA DO AUTOR: MANDRÁGORA - Planta envolta em lendas e mitos ligados à magia - origem eurasiana, herbácea, flores na forma de campainha e frutos bacáceos.  Raiz tem forma humana - cabeça-braços-pernas, daí ser chamada de ‘homenzinho que forme na terra”.  Cultivada por gregos e egípcios, citada na Bíblia e também na coleção Harry Potter. FONTE: Trabalho da professora Gabriela Martin - Jornal Universitário - UFPE - Recife, n.4, dez./77. F  I  M
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Comentários dos leitores

Meninos brilhantes deveriam se exibir menos e dar valor a amuletos tradicionais. Banho de água mona e saldo pescoço para baixo Parabéns!

Postado por lucia maria em 25-11-2017

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