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   Aurélio Schommer Foto de Aurélio Schommer

Aurélio Schommer é autor e presidente da Câmara Bahiana do Livro.



O PERIGO QUE NOS ESPERA

Gosto de escrever sobre História, quanto mais longínqua melhor, para não cair na armadilha do historiador: usar o conhecimento do passado para avaliar o presente e, mais temerário, prever o futuro, ainda que próximo. Concordo com Coleridge: a experiência só ilumina o caminho que ficou para trás. Mas, neste momento, não há como ignorar o tamanho do perigo que nos espera.

 

O Brasil cresceu muito nos últimos anos por conta de uma combinação de fatores irrepetíveis a médio prazo, quais sejam a alta das comodities e o excesso de liquidez no mundo, em busca de lugar para investir. Mantivemos a balança comercial superavitária com sobrepreço e o investimento com poupança externa.

 

Inebriados pelos resultados práticos, deixamos que os males internos se agravassem. Os impostos aumentaram sem contrapartida em serviços ou infraestrutura, especialmente sem contrapartida na melhoria da educação pública, ano após ano obtendo as piores médias do planeta. O pouco que se faz em estradas e portos é via privatização, transferindo o custo para os usuários. Os brasileiros, além de arcarem com saúde e planos de previdência privados (quando podem), dão ainda 40% do que ganham para o pagamento de juros estatais, servidores públicos cada vez mais numerosos e melhor remunerados, obras superfaturadas, roubalheira em contratos, indenizações a supostos perseguidos políticos, aposentadorias milionárias. Apenas uma ínfima parte é gasta em programas sociais: o bolsa-família consome menos de 10% do gasto com juros.

 

O Judiciário piorou seus já terríveis padrões, levando a todos insegurança jurídica. Esta falência tem custos: precariza a segurança pública, inibe o investimento a longo prazo, encarece o crédito às empresas e consumidores. A burocracia também aumenta o custo Brasil, que não parou de crescer nos últimos anos.

 

Os juros mais altos do mundo atraem divisas externas especulativas, que provocam desequilíbrio cambial, que provoca desindustrialização. Para baixá-los, só tem um jeito: o governo poupar de tal modo que alcance déficit nominal zero. Mas fazem o contrário: expandem o gasto público muito além do PIB. Não para construir a potência de amanhã, com um povo melhor educado, mais capaz de inserção na economia global competitiva, e com condições estruturais que alicercem o crescimento. Apenas para beneficiar tais ou quais lobbies, tais ou quais indivíduos ou grupos de interesses.

 

Os governos (União, estados e municípios) não poupam e não investem. Os brasileiros honestos, empreendedores, dependentes do próprio esforço, não podem poupar nem investir, cercados por todos os lados por impostos diretos e indiretos. Chamo de imposto indireto a necessidade de pagar o vigilante (não há segurança pública), o médico (a saúde pública segue sem funcionar), a escola (ou é particular, ou é um desastre), o transporte coletivo caro e ruim por falta de investimento público no trânsito das cidades. A turma dos privilegiados sempre foi perdulária e não poupa por falta de vocação mesmo. Quando o faz, manda para o exterior, pois conhece as nossas entranhas e sabe que não são confiáveis.

 

Em resumo, vivemos uma combinação de déficit em conta corrente (exportamos turistas, importamos capital – turistas gastam, capital requer expatriação de dividendos), baixo investimento, infraestrutura precária, carga tributária confiscatória, juros estratosféricos, câmbio sobrevalorizado, desindustrialização, estado inchado, perdulário e ineficiente. Tudo isso enquanto consumimos aos borbotões, financiados pela poupança externa, e julgamos ter encontrado o paraíso.

 

Até que um dia, não muito distante, o preço das commodities cairá, o investimento estrangeiro baterá asas e torraremos a moeda forte das reservas internacionais em produtos de consumo chineses. O câmbio, então, inverterá o sinal, importar será caríssimo e não haverá quem produza aqui o substituto. Os preços explodirão e todos os ganhos chamados reais, do rico apaniguado ao beneficiário do salário mínimo via Previdência Social, virarão pó.

 

O presidente de plantão, seja quem for, nosso salvador, não poderá fazer muito, refém que será de um centro político majoritário, base alugada, que não pensa em outra coisa além de pilhar o Estado, como tem feito desde o governo Tomé de Sousa.

 

O Brasil não mudou, no que tem de pior, nos últimos anos. A combinação irrepetível de fatores nos deu a falsa impressão de mudança. Quando esta acabar, pagaremos a fatura. Isto não é a História quem ensina, daí eu não temer aqui cair na armadilha do historiador. É a matemática. Quem gasta mais do que tem, terá menos do que gastou.

Copyright Aurélio Schommer © 2010
Todos os direitos reservados.

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Comentários dos leitores

Caro Aurélio, seu texto reflete tudo o que sinto sobre a gestão pública no Brasil. Compartilho com você suas idéias. Continue a escrevê-las. Parabéns

Postado por tonnylion em 13-09-2012

Grande Aurélio! Seu texto só contém verdades, mas temo em aceitá-las, brasileiro que sou, sempre esperançoso e sempre otimista. Rezo para que no próximo domingo nossos conterrâneos escolham alguém que se comprometa com a solução desse problema.

Postado por Silvino em 27-10-2010


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